| Foto: Gazeta Press |
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| Com cinco estaduais seguidos,
Muricy luta por primeiro título internacional.
Já Abel quer acabar com estigma de vice. |
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Abel x Muricy: quem vai se
tornar “top”?
O grupo de técnicos brasileiros incontestáveis
vai ganhar mais um integrante em 16 de agosto, data da partida
decisiva da Copa Libertadores da América. Com apenas
conquistas regionais no currículo, Abel Braga ou Muricy
Ramalho farão definitivamente companhia a Valdir Espinosa,
Luiz Felipe Scolari, Antonio Lopes e Paulo Autuori, como vencedores
da competição.
Dois dos treinadores mais estáveis nos últimos
anos no futebol brasileiro, eles comandaram boas campanhas
nas Laranjeiras e Beira-Rio na última temporada e vêm
mantendo o nível em novas casas neste ano. Entretanto,
não apareceram nas sondagens para assumir a seleção
brasileira. O título da Libertadores os colocaria um
degrau acima de Wanderley Luxemburgo e Emerson Leão
que, apesar de serem considerados top e já terem passado
pela equipe nacional, nunca conquistaram a América.
Abel Braga já teve a chance de cravar seu nome no
cenário nacional nos dois últimos anos, quando
chegou à decisão da Copa do Brasil com Flamengo
e Fluminense. Nas duas oportunidades, ele perdeu o título
para pequenos clubes de São Paulo, Santo André
e Paulista. “Não me importo com isso. Quando
eu chego em um clube, eu trabalho para chegar na final. E
estou chegando”, defende-se.
“É difícil chegar em finais da Copa do
Brasil em dois anos consecutivos. Você não chega
por sorte”, continua Abel. Para acabar com esse estigma
de vice-campeão, no entanto, o comandante do Internacional
acha que já fez o que podia. “Agora, a falha
ou o destino vão decidir esse título. O que
eu posso fazer? Já está escrito o que vai acontecer”,
filosofa.
Se o Internacional conquistar a Copa Libertadores, no entanto,
Muricy Ramalho também vai ter seus méritos.
Foi o técnico do São Paulo quem classificou
o time para o torneio continental no ano passado – quando
também foi vice, mas do Campeonato Brasileiro –
e armou a base do time que hoje Abel Braga dirige. Dos 11
que devem começar a partida desta quarta, apenas Fabiano
Eller e Fabinho não trabalharam com o comandante são-paulino.
“Não se pode esquecer que foi o Muricy quem
começou esse trabalho no Internacional. É claro
que estou dando minha cara à equipe, mas ela ainda
deve muito a ele”, reconhece o técnico do Colorado,
que fez treinamentos secretos na segunda e na terça-feira,
justamente porque o rival conhece bastante seus jogadores.
Os atletas, aliás, não se esquecem do ex-comandante.
O atacante Fernandão, um dos que mais lembra do antigo
técnico, compara os estilos de Abel e Muricy. “Cada
um tem sua filosofia, mas os dois são muito detalhistas,
por isso estão conseguindo esse espaço no futebol.
Eles conseguem formar uma família por onde passam”,
comenta o colorado, que, como seus companheiros, não
vai se importar em entristecer Muricy Ramalho nesta quarta-feira.
Já Muricy Ramalho sabe da importância do título
da Libertadores da América, mas não se entusiasma
com a possibilidade de subir um degrau em sua carreira profissional.
”O futebol não permite você ficar empolgado
com um bom momento. Um dia você serve para o time, no
outro já não serve mais”, lamenta o treinador
sobre a realidade de sucessivas demissões vistas nos
clubes brasileiros.
Segundo o comandante são-paulino, os dirigentes deveriam
modificar o tratamento com os técnicos que não
conquistam títulos, mas formam uma boa base para o
futuro. ”O treinador precisa brigar muito para ter o
trabalho elogiado. Aqui precisa ser fera para receber um reconhecimento.
Acho que no futebol precisamos ver quanto tempo o profissional
está no meio, se revela ou não jogadores. Na
Inglaterra, vemos treinadores com 20 anos de trabalho que
não ganham títulos e são reconhecidos”,
explica.
Com a vida ligada ao São Paulo, Muricy Ramalho acredita
que o principal neste momento é ficar marcado na história
do clube que defendeu como jogador e iniciou sua trajetória
como treinador. “Já tinha sido treinador aqui
outras vezes e, quando deixei o clube, fiz a promessa de que
não poderia deixar uma imagem de derrotas. Eu me preparei
para esse retorno, para dar a volta por cima e provar minha
condição”, lembra.
Com seu estilo simples de trabalho, Muricy Ramalho já
deixa claro que prefere ficar longe dos holofotes. Com essa
personalidade, ele sabe que é mais difícil aparecer.
No entanto, o treinador opta por valorizar seus atletas. ”Quem
decide são os jogadores, ainda mais em uma final parelha
como essa”, define.
A forma modesta e, em certas horas, sentimental de comandar
fez Muricy Ramalho ganhar grande respeito no elenco são-paulino.
“Ele é um ex-jogador e tem uma personalidade
de atleta. Parece que ainda sente como um de nós. Perdendo
ou ganhando, é um treinador que vibra. Vejo isso de
forma positiva”, exalta o zagueiro Lugano. A partir
desta quarta, um ficará mais próximo de ser
consagrado e outro de amargar o estigma de "técnico
regional".
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